Subnotificação de evento adverso é problema clássico de cultura organizacional. Mas também é problema operacional: profissional cansado, formulário burocrático, sem feedback do que aconteceu depois da notificação.
O resultado é o conhecido: hospital com 200 leitos notifica 3 eventos por mês. Hospital comparável (cultura justa, processo simples) notifica 80. Não é que um seja mais seguro - é que um mede.
Nas releases recentes do facilita.ia (v1.7.7 e v1.7.8), a gente mudou três coisas pra atacar o gargalo operacional do ciclo de evento adverso.
1. NCC-MERP ≥ E gera NC automática
A escala NCC-MERP classifica evento de medicação em 9 níveis (A a I), do erro potencial sem dano até óbito. A partir do nível E (causou dano temporário com necessidade de intervenção), o caso já não é só "incidente reportado" - é não-conformidade que demanda ciclo CAPA.
Antes: profissional notificava, núcleo de qualidade triava, abria NC manualmente, designava responsável. Tempo médio: 4-7 dias.
Agora: notificação chega já classificada (com possibilidade de revisão pela equipe). Se NCC-MERP ≥ E, NC abre automaticamente com o fluxo CAPA conectado. Tempo até abertura formal: minutos.
2. Análise Benjamin com Ishikawa pré-montado
A causa raiz de evento adverso quase nunca é "erro humano" puro. É sistema - falha de comunicação, processo confuso, equipamento mal sinalizado, escala impossível.
Benjamin lê o registro do evento e propõe uma análise Ishikawa preliminar - 6 grupos de causa (método, máquina, mão-de-obra, material, medida, meio ambiente) com hipóteses já estruturadas. A equipe revisa, ajusta, descarta o que não se aplica. Ganho real: a primeira hora de reunião de RCA não é mais "vamos do zero" - é "vamos validar o que já está aí".
3. NOTIVISA pré-preenchido (RDC 36 ANVISA)
NOTIVISA é o sistema da ANVISA pra notificação compulsória. Em hospital acreditado ou em vigilância sanitária, é obrigação. Mas o formulário tem 40+ campos e exige conhecimento de codificação - normalmente cai no colo da Comissão de Segurança do Paciente, que perde 2 horas por evento.
Benjamin agora pré-preenche os campos NOTIVISA usando o registro local do evento. A revisão final continua sendo humana (e deve continuar sendo) - mas o tempo de redação cai pra 10 minutos.
Cross Intelligence: o evento como input estratégico
Tudo isso desemboca no que a gente chama de Cross Intelligence: o evento adverso não morre como "registro arquivado". Ele dispara CAPA sistêmico, atualiza KPI de queda/IRAS/medicação, alimenta análise crítica trimestral e entra na evidência de auditoria pra ONA, JCI, RDC 36 simultaneamente.
O risco que a automação não resolve
Tudo isso só funciona se a cultura permitir. Cultura justa (não-punitiva pra erro de sistema, responsabilizadora pra negligência consciente) é pré-requisito. Sem ela, nenhuma automação vai aumentar notificação - vai aumentar a sensação de "estão me vigiando".
A boa notícia: quando a cultura está minimamente adequada, o ganho operacional dispara o que estava represado. Vi hospitais saírem de 5 para 60 notificações/mês em 90 dias - não porque o erro aumentou, mas porque o erro passou a ser visível.
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