A lista de cargos mais contratados em tecnologia costuma ser dominada por desenvolvedores e dados. No Guia Salarial 2026 da Michael Page, dois nomes novos subiram pro topo: Gerente de Segurança / Cyber e Especialista / Gerente de Inteligência Artificial. Não é detalhe. É o mercado avisando que IA e segurança da informação deixaram de ser tema de TI e viraram cargo de negócio.

E quando algo vira cargo de negócio, ele arrasta uma pauta junto: governança. Porque ninguém coloca IA e dados no centro da operação sem alguém perguntando quem responde quando der errado.

O que o guia diz, e por que importa

A pesquisa é direta sobre o motor desse crescimento. Ela cita que inteligência artificial, ciência de dados, computação em nuvem e segurança da informação crescem diante de mais dados, regulamentações como LGPD e tecnologias emergentes. Ou seja: não é só a IA que puxa a contratação. É a IA mais a regulamentação que vem atrás dela.

Esse "mais a regulamentação" é a parte que muita empresa ignora na hora de contratar. Contrata-se o especialista de IA pra acelerar inovação, e o de Cyber pra proteger, mas se esquece que os dois trabalham num terreno que a LGPD já regula e que a ANPD já fiscaliza. Talento sem governança, nesse campo, não reduz risco. Concentra risco numa área que a empresa passou a depender.

O perfil híbrido que o guia descreve

O guia insiste num ponto sobre o profissional de tecnologia de 2026: não basta dominar ferramentas, é preciso traduzir soluções técnicas em impacto real para o negócio, com comunicação e visão estratégica. Ele chama de perfil híbrido, e diz que falar a língua do negócio virou diferencial.

No caso de IA e Cyber, "falar a língua do negócio" inclui uma palavra específica: risco. O especialista de IA que entende de negócio sabe que um modelo sem supervisão humana, sem controle de viés e sem transparência é um passivo esperando o momento. O gerente de Cyber que entende de negócio sabe que segurança sem norma é heroísmo individual que não sobrevive a uma auditoria. Os dois cargos que o guia elevou são, no fundo, cargos de governança disfarçados de cargos técnicos.

O erro: tratar IA e Cyber como só técnica

O reflexo, ao contratar esses perfis, é medir só a técnica: qual stack domina, quantos modelos treinou, que certificações tem. Importa, é o piso. Mas o guia inteiro repete que a técnica virou pré-requisito, não diferencial, e em IA e segurança isso é ainda mais verdadeiro, porque o que decide se a empresa se protege ou se expõe não é a ferramenta. É a governança em volta dela.

Um modelo de IA brilhante rodando sem registro de decisão, sem avaliação de risco e sem supervisão é exatamente o tipo de coisa que a ANPD suspende antes de o processo terminar. Um ambiente de segurança sofisticado sem a norma mapeada e a evidência conectada é a empresa que só descobre a lacuna no dia do incidente. Nos dois casos, o que faltou não foi técnica. Foi controle demonstrável.

O que muda quando governança entra junto

A diferença entre a empresa que contrata IA e Cyber e a que de fato reduz risco com eles está em contratar governança junto com o talento. Três sinais:

  • A IA opera sob norma, não sob confiança. ISO 42001 dá a estrutura de governança de IA: risco, transparência, controle de viés e supervisão humana. Sem isso, "confiamos no time" é a política, e política de confiança não passa em auditoria.
  • A segurança tem norma e evidência conectadas. ISO 27001 transforma segurança de esforço individual em sistema com prova. Cada controle aponta pra evidência de que existe e funciona.
  • A conformidade acompanha a inovação. Como a LGPD já regula o uso de dados e IA, governança precisa andar no mesmo passo da tecnologia, não correr atrás depois do incidente.

Onde o facilita.ia entra

Colocar governança ao lado do talento é exatamente o que o facilita.ia faz. Ele mapeia o ISO 42001 (governança de IA) e o ISO 27001 (segurança da informação), e conecta cada requisito à evidência que a ANPD e o auditor vão pedir, com o Benjamin cuidando da norma. O especialista de IA e o gerente de Cyber que a empresa contratou passam a inovar dentro de um trilho auditável, em vez de gerar risco que ninguém consegue provar que está sob controle. Inovar com controle, não apesar dele.

Sobre por que a ANPD já cobra governança de IA sem esperar lei específica, escrevi em governança de IA não espera a lei.

Cargo novo, risco novo, governança nova

A entrada de IA e Cyber na lista dos mais contratados é uma boa notícia: mostra que as empresas estão levando a sério a tecnologia que move o negócio. Mas contratar o talento é metade da decisão. A outra metade é dar a ele a governança pra que essa tecnologia seja um ativo controlado, e não um passivo concentrado. A empresa que contrata os dois e ignora a norma está comprando potência sem freio. E em IA e segurança de dados, potência sem freio não é velocidade. É acidente esperando a hora.


Dados: Guia Salarial 2026, Michael Page (998 empresas e 7.147 profissionais no Brasil). Conteúdo informativo, não é consultoria jurídica, de compliance ou de segurança da informação.

Contratar IA e Cyber sem governança é comprar risco sem controle

O facilita.ia mapeia o ISO 42001 (governança de IA) e o ISO 27001 (segurança da informação), conectando cada requisito à evidência que a ANPD e o auditor pedem, com o Benjamin cuidando da norma. Você inova com controle, não apesar dele.

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Klaus Fuchs
Klaus Fuchs · founder facilita.etc Bacharel em Administração (FAE) e Engenharia da Computação (PUC-PR). MBA em Controladoria e Finanças (UNINTER, 2018) e MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde (PUCRS, 2026). Pesquisa uso de IA aplicada à gestão estratégica desde 2015.