Pessoas

Observatório Anahp 2026: rotatividade hospitalar sobe e retenção cai. O que os dados exigem da gestão de pessoas

A Anahp publicou a edição de 25 anos do Observatório Anahp, o levantamento anual que reúne indicadores de 138 hospitais privados que alimentam o Sistema de Indicadores Hospitalares da associação. São hospitais que, juntos, empregam 248 mil colaboradores e respondem por cerca de 15% de todo o emprego formal no atendimento hospitalar do Brasil. Quando esse grupo mede gestão de pessoas, vale prestar atenção: é o benchmark que o setor usa pra se comparar.

Li o capítulo de gestão de pessoas inteiro. A frase que abre o capítulo já entrega o tom: a gestão de pessoas nos hospitais Anahp "combina avanços pontuais com desafios estruturais relevantes". Traduzindo o diagnóstico oficial: o absenteísmo curto caiu e o investimento em treinamento subiu, mas a rotatividade aumentou e a retenção despencou pro menor patamar de quatro anos. O funil de talentos está furando nas duas pontas ao mesmo tempo.

  Relatório completo

Observatório Anahp 2026 · edição 25 anos

578 páginas com conjuntura econômica da saúde, perfil clínico-epidemiológico, desempenho assistencial, qualidade e segurança, gestão econômico-financeira, gestão de pessoas, sustentabilidade e TI. Publicação gratuita da Anahp.

Baixar o Observatório Anahp 2026 Download direto no site oficial da Anahp. Todos os dados citados aqui têm como fonte o Observatório Anahp 2026 (Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp).

Os números que importam, lado a lado

Antes de interpretar, os indicadores de gestão de pessoas dos hospitais Anahp em 2025, com a seta indicando se pioraram ou melhoraram em relação a 2024:

Gestão de pessoas · hospitais Anahp 2025

2,83% Rotatividade de pessoal (era 2,60% em 2024)
2,29% Rotatividade da enfermagem (era 2,10% em 2024)
58,84% Retenção de colaboradores em 12 meses, menor da série (era 62,71%)
77,96% Efetivação após os 90 dias de experiência (era 80,21%)
11,53% Aproveitamento interno de vagas (era 12,74%)
12,21 Dias para contratar, da abertura da vaga ao início (era 10,92)
0,77% Absenteísmo por faltas não justificadas, maior da série histórica
3,27% Absenteísmo total (até 15 dias), queda saudável (era 3,43%)

Seta vermelha pra cima é piora, verde pra baixo é melhora. Repare que quase tudo que se relaciona a reter gente piorou, e o único alívio claro foi o absenteísmo curto. É um retrato de equipe instável.

A rotatividade da enfermagem é o dado que tira o sono

A rotatividade geral subiu pra 2,83%, mas o número que o próprio Observatório destaca como crítico é o da enfermagem: 2,29% em 2025, em alta. E o relatório é explícito sobre o porquê: esse indicador está "ligado diretamente ao atendimento prestado ao paciente". Enfermeiro que sai leva junto conhecimento de protocolo, vínculo com o time e curva de aprendizado que custou meses.

O recorte regional torna isso ainda mais desigual. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a rotatividade da enfermagem chega a 3,36%, contra 2,03% no Sudeste. Ou seja: onde a oferta de profissional qualificado já é mais escassa, o giro é maior. O Observatório resume bem o impacto: rotatividade "gera maiores gastos com contratação e treinamento, além de perda de conhecimento e de investimentos já realizados no desenvolvimento do colaborador".

O custo da rotatividade não aparece numa linha do orçamento. Ele se esconde no protocolo refeito, no plantão coberto às pressas, no paciente que recebe cuidado de quem ainda está aprendendo a operação. É um custo assistencial disfarçado de custo de RH.

Retenção e efetivação caindo: o funil furando nas duas pontas

Dois indicadores andaram juntos pra baixo, e isso não é coincidência. A efetivação após o período de experiência (quantos dos contratados passam dos 90 dias) caiu pra 77,96%. E a retenção em 12 meses caiu pra 58,84%, o pior resultado dos últimos quatro anos. Quase 1 em cada 4 contratados não passa da experiência, e mais de 4 em cada 10 não chegam a completar um ano.

Isso muda o ângulo do problema. Não é só "contratar mais rápido", é entender por que a pessoa que entrou está indo embora antes de gerar valor. Quando a retenção cai dessa forma, o sinal costuma estar em coisas que nenhuma planilha de folha captura: clima da equipe, qualidade do feedback nos primeiros meses, clareza do que se espera da pessoa, percepção de que o trabalho tem sentido. É dado que só existe se você for atrás de medir.

Aproveitamento interno parado em 11,53%: a vaga que podia ser preenchida por dentro

Aqui mora a oportunidade mais barata do capítulo inteiro. O aproveitamento interno (vagas preenchidas com gente que já está na casa) caiu pra 11,53%. Quase 9 em cada 10 vagas são preenchidas buscando candidato externo, com o tempo de contratação subindo pra 12,21 dias e todo o custo de integração de alguém novo.

Mobilidade interna ataca três problemas de uma vez: reduz rotatividade (a pessoa cresce em vez de sair), encurta o tempo de preenchimento (o candidato interno já conhece a operação) e melhora retenção (quem vê caminho de carreira fica). O obstáculo de sempre é operacional: o RH hospitalar raramente tem como cruzar, de forma estruturada, o perfil de quem já está dentro com o que a vaga aberta exige.

Absenteísmo curto cai, mas faltas não justificadas batem recorde

O único respiro claro foi o absenteísmo de até 15 dias, que caiu pra 3,27%. Mas tem um detalhe incômodo no mesmo bloco: o absenteísmo por faltas não justificadas atingiu 0,77%, o maior número da série histórica. E o Observatório conecta o absenteísmo diretamente à "saúde mental dos profissionais".

Isso não é só métrica de RH, é território de NR-1. Desde maio de 2026, a gestão de riscos psicossociais virou exigência do PGR, e absenteísmo, falta não justificada e sobrecarga são exatamente os sinais que a norma manda mapear e documentar. O hospital que já coleta esses dados está sentado em cima de evidência psicossocial sem perceber. O que falta é transformar o número solto em inventário auditável.

Onde a facilita.rh entra aqui

Os dados do Observatório descrevem com precisão os problemas que a facilita.rh foi feita pra operar, sem inventar capacidade que o número não pede:

  • Retenção e clima: pulse surveys recorrentes e o PHI (People Health Index), um score preditivo de saúde organizacional que cruza performance, engajamento, feedback e desenvolvimento pra antecipar o desligamento antes dele acontecer.
  • Mobilidade interna: o Talento Match cruza o perfil de quem já está na casa com a vaga aberta, atacando direto aquele aproveitamento interno de 11,53%.
  • Tempo de contratação: Belle CV e a bateria de 11 testes científicos para triar candidato com critério, encurtando os 12,21 dias.
  • Faltas e saúde mental: o módulo NR-1 transforma pulse, feedback e indicadores de absenteísmo em inventário psicossocial e PGR auditável.

O que dá pra fazer com esses dados essa semana

Você não precisa de um projeto de seis meses pra começar a usar o Observatório. Três movimentos concretos:

  1. Compare seus números com o benchmark. Pegue sua rotatividade de enfermagem e sua retenção de 12 meses e ponha ao lado de 2,29% e 58,84%. Acima da média Anahp? Você tem um problema mensurável pra levar pra diretoria, com fonte externa respeitável.
  2. Mapeie 1 indicador que você não acompanha hoje. A maioria dos hospitais mede admissão e desligamento. Poucos medem retenção em 12 meses ou aproveitamento interno. Comece a medir um deles. O que não é medido não entra em decisão.
  3. Cruze absenteísmo com NR-1. Se a falta não justificada subiu na sua casa como subiu na média do setor, esse já é um dado psicossocial. Documente agora, antes do auditor pedir.

O Observatório fecha o capítulo com um recado que vale repetir: o ambiente segue "instável do ponto de vista da retenção de talentos", e isso "pressiona custos, compromete a continuidade assistencial e impõe maior complexidade à gestão das equipes". A resposta que o próprio relatório indica são "estratégias mais estruturadas de retenção, desenvolvimento e engajamento". Estruturadas é a palavra-chave: planilha solta não dá conta. O dado existe. Falta operação pra agir sobre ele.

  Leia na íntegra

Baixe o Observatório Anahp 2026 completo

Os indicadores deste artigo são um recorte do capítulo de gestão de pessoas. O relatório completo, gratuito, traz muito mais sobre conjuntura, assistência, qualidade e finanças do setor hospitalar.

Baixar no site da Anahp Fonte de todos os dados citados: Observatório Anahp 2026, Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp.
Klaus Fuchs
Klaus Fuchs Founder da facilita.etc. 15+ anos liderando gestão estratégica em saúde, educação e organizações sociais. Conduziu acreditações em uma das maiores OSS do Brasil. Escreve sobre o que pratica.

Onde sua gestão de pessoas está, em números?

Em 10 minutos, o diagnóstico do facilita.rh avalia 7 dimensões de maturidade da gestão de pessoas e a Belle gera um relatório com benchmarks e recomendações.

  Diagnóstico de RH grátis   Comece grátis em 5 min   Falar com a gente