A Parte 1 dessa série tratou do primeiro artigo, de 2016, que era uma aposta teórica. Aquele paper desenhou uma planta baixa: sete blocos de ferramentas de gestão conectados num fluxo de IA. Mas ele não saiu do papel. Em 2018, retomei a tese pra responder uma pergunta mais aterrada: se ainda não dá pra construir a IA, dá pra montar o fluxo todo em planilha?

Era o TCC do MBA em Controladoria e Finanças do UNINTER. Orientadora, professora Edicreia Andrade dos Santos. Nessa altura, eu já tinha as duas formações que sustentam até hoje minha leitura técnica do problema: Administração pela FAE e Engenharia da Computação pela PUC-PR. O artigo nasceu dessa combinação. Lógica de software pensando ferramenta de gestão.

FUCHS, K. O.; SANTOS, E. A. Desenvolvimento de um modelo de análise integrada para a formulação da estratégia organizacional.

TCC do MBA em Controladoria e Finanças, UNINTER Centro Universitário, 2018. Coautoria com Profa. Dra. Edicreia Andrade dos Santos.

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O que mudou em relação a 2016

Três coisas mudaram. Primeiro, o foco saiu da IA como sujeito da pesquisa e passou pra o método. O paper de 2018 não fala em redes neurais nem em lógica fuzzy. Fala em fluxo de informação entre ferramentas consagradas de Administração. A IA virou implícita: ela é o destino do método, não o objeto do estudo.

Segundo, o conjunto de ferramentas se expandiu com a entrada da análise Belbin de papéis de equipe. Belbin não estava em 2016. A ideia foi: análise interna não é só financeiro, é também quem opera. Equipe sem o papel certo na fase certa do crescimento gera Fraqueza independente do balanço.

Terceiro, e mais importante operacionalmente: o modelo virou planilha executável. O TCC entregou uma planilha onde o leitor podia rodar o fluxo inteiro nos próprios dados, gerar gráficos, ver o BSC sair pronto no final. Não era mais teoria sobre o que poderia ser feito. Era execução visível.

O fluxo do modelo integrado

A Figura 1 do artigo organiza seis ferramentas em três blocos sequenciais:

Modelo Integrado (Figura 1 do TCC 2018) Oportunidade Estratégica: Curva de Greiner (qual fase de crescimento e qual crise)
Análise Externa: PEST (variáveis Políticas, Econômicas, Sociais, Tecnológicas com impacto × risco)
Análise Interna: DuPont (variáveis financeiras) + Belbin (variáveis de equipe)
Síntese e Opções: Matriz SWOT alimentada automaticamente pelas saídas anteriores
Planejamento Estratégico: Balanced Scorecard com objetivos, indicadores e metas por perspectiva

O detalhe operacional que separa esse paper do anterior é a integração. As variáveis identificadas em cada bloco entram automaticamente na matriz SWOT do bloco seguinte, classificadas como Força, Fraqueza, Oportunidade ou Ameaça e com prioridade calculada (Alto / Médio / Baixo × Impacto / Risco). O SWOT, por sua vez, alimenta o BSC nas quatro perspectivas: Financeira, Cliente, Processos, Aprendizado.

Sem IA, sem rede neural, sem fuzzy. Só fórmula condicional e referência cruzada de célula. O que importava era provar que o fluxo era possível.

Os seis frameworks que o paper conectou em 2018

GreinerFase + crise
PESTAnálise externa
DuPontAnálise financeira
BelbinPapéis de equipe
SWOTSíntese
BSCPlanejamento

O que esse artigo abriu

O paper de 2018 termina com uma frase que envelheceu bem:

"Sugere-se que um modelo computacional seja desenvolvido para que um conjunto de dados maior possa ser englobado e analisado de forma automatizada. Uma plataforma de análise integrada ao sistema de informações da organização poderia ser capaz de realizar diagnósticos com um maior número de entradas relevantes e de filtrar dados irrelevantes."

Considerações finais, TCC UNINTER 2018.

Em 2018, isso era especulação. Em 2026, é descrição do facilita.ia. A diferença entre a planilha de 2018 e o produto de hoje é a escala (de 6 frameworks pra 14 + 46 normas) e a IA que faz o trabalho que a planilha exigia que o gestor fizesse manualmente (classificar variáveis, calcular prioridades, traduzir SWOT em ações). Mas o esqueleto é o mesmo.

A continuidade entre 2016, 2018 e o produto

Dos três frameworks novos que apareceram em 2018 em relação a 2016, a SWOT como matriz dinâmica sobreviveu e virou módulo dedicado no facilita.ia, com cruzamento automático com os outros frameworks de gestão estratégica. Belbin e DuPont não viraram features do produto: a análise comportamental no facilita.rh seguiu por instrumentos psicométricos mais robustos que os papéis de equipe de Belbin, e a leitura financeira se organizou em torno de indicadores conectados ao BSC e ao mapeamento de riscos, não em torno do modelo DuPont. A planilha executável de 2018 era prova de conceito do fluxo, não da escolha específica de cada ferramenta.

Esse é o ponto da série inteira. O produto não nasceu de um insight em 2024 sobre LLM. Nasceu de uma pesquisa em 2016, uma planilha em 2018 e uma operação real em 2025. Foi linear. Foi documentado.

Próximo artigo da série

Em 2026, fechei o ciclo com um estudo de caso real publicado no MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde da PUCRS. A acreditação Qmentum International como indutora de governança corporativa em uma grande Organização Social de Saúde brasileira. Vinte e seis meses de processo, seis etapas avaliativas, análise documental completa.

Foi a primeira vez em dez anos de pesquisa que o método saiu da planilha e entrou em operação real, com fragilidades, melhorias e aprendizado de campo. Ler a Parte 3 →

Leia o TCC completo de 2018

18 páginas, 650 KB. UNINTER Centro Universitário, MBA em Controladoria e Finanças. Coautoria com Profa. Dra. Edicreia Andrade dos Santos.

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Esse fluxo, vivo, hoje, no facilita.ia

14 frameworks estratégicos integrados (incluindo os 6 do artigo de 2018), 1.685+ cláusulas de norma mapeadas, 4 IAs especialistas.

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Klaus Fuchs
Klaus Fuchs · founder facilita.etc Bacharel em Administração (FAE) e Engenharia da Computação (PUC-PR). MBA em Controladoria e Finanças (UNINTER, 2018) e MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde (PUCRS, 2026). Pesquisa uso de IA aplicada à gestão estratégica desde 2015.