Em 26 de maio de 2026, a atualização da NR-1 que incluiu gestão de riscos psicossociais ficou definitivamente exigível pela fiscalização do trabalho. Empresa de qualquer porte com CLT, mesmo que sem departamento de SST estruturado, está dentro da regra.
Seis meses depois, o cenário ficou claro: ter PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) com a seção de risco psicossocial em PDF não basta. O auditor abriu o sistema e pediu coisa que a maioria não tem.
Como o auditor está conduzindo a inspeção em 2026
De acordo com casos relatados em fóruns de SST e em comunicações da própria Inspeção do Trabalho ao longo do primeiro semestre, o padrão da fiscalização ficou previsível. O auditor pede três blocos, na ordem.
1. O documento. PGR com a seção psicossocial.
Isso ainda é o checkpoint inicial. A empresa apresenta o PGR atualizado, com a parte psicossocial estruturada (inventário de riscos, plano de ação, cronograma de monitoramento). Aqui, a maioria passa, porque é o que entrou no escopo dos consultores de SST contratados em 2024-2025.
Mas é só o começo da conversa.
2. A coleta. Como você levantou os riscos psicossociais.
O auditor pergunta: "de onde saíram esses riscos psicossociais que estão no PGR?". E pede evidência. Não é "achei que tinha risco de assédio", é "rodei pesquisa, fiz entrevista, analisei dado". As respostas que estão funcionando, em ordem do mais robusto pro mais frágil:
- Pulse survey segmentado por área e turno, com perguntas validadas (escala COPSOQ ou similar), aplicado nos últimos 12 meses, com taxa de resposta documentada
- Grupos focais conduzidos por psicólogo organizacional ou empresa especializada, com ata assinada
- Entrevistas individuais estruturadas com colaboradores de áreas críticas (UTI, atendimento, linha de produção, área comercial)
- Análise de indicadores: turnover por área, afastamentos por CID-F, absenteísmo, queixas formalizadas em canal de denúncia
O que não tem passado: levantamento feito por consultor externo numa visita de 2 dias, sem ouvir o colaborador. Auditor pede a evidência da coleta e não tem.
3. O ciclo. O que você fez depois de identificar o risco.
Esse é o ponto onde quase todo mundo trava. O PGR lista um risco psicossocial. O auditor pergunta: "e o que vocês fizeram?". Plano de ação? Treinamento? Mudança de processo? Capacitação de liderança? Acompanhamento? E onde está a evidência de execução, com responsável, prazo e indicador de eficácia?
Na prática: o auditor não está fiscalizando se a empresa "cumpre a NR-1". Está fiscalizando se a empresa opera gestão de risco psicossocial. Documento bonito + zero execução = autuação.
O que aparece em quase toda autuação dos primeiros 6 meses
Sem entrar em detalhes de casos específicos (cada autuação tem contexto próprio), os padrões que se repetem nas notificações do MTE em 2026:
Gap 1. Levantamento de risco psicossocial baseado em "achismo" do RH, sem dado coletado de colaborador.
Gap 2. PGR com risco identificado mas sem plano de ação concreto ("treinar liderança", "acompanhar clima"), sem responsável, sem prazo, sem indicador.
Gap 3. Treinamento de liderança em risco psicossocial não realizado ou feito 1 vez em 2024, sem reciclagem.
Gap 4. Canal de denúncia existente, mas sem fluxo documentado de tratamento da denúncia, sem proteção do denunciante, sem retorno ao reclamante.
A empresa que tem os 4 gaps cobertos passa. A que tem 2 ou 3, está em risco. A que só tem o PGR em PDF, está exposta.
O custo da autuação em 2026
A fiscalização do trabalho aplica multa por NR descumprida com gradação por porte da empresa. Para a NR-1 com risco psicossocial, os valores em 2026 começam em cerca de R$ 6 mil por infração para empresa pequena e podem ultrapassar R$ 50 mil para média/grande, com agravantes por reincidência ou descumprimento sucessivo.
Mas o custo direto da multa é o menor dos problemas. O custo real vem em três outras frentes:
- Ação trabalhista individual. Colaborador afastado por burnout, depressão ou ansiedade vinculados ao ambiente de trabalho ganha respaldo jurídico muito maior quando há autuação prévia de NR-1 psicossocial. Indenização média por dano moral em casos assim no TST 2024-2025 ficou entre R$ 30 mil e R$ 150 mil por colaborador.
- Ação civil pública do MPT. Se a autuação do MTE chegar ao Ministério Público do Trabalho, pode virar ACP com pedido de obrigação de fazer + dano moral coletivo. Valores de R$ 500 mil a R$ 2 milhões em casos recentes.
- Marca empregadora. Autuação de NR-1 vira notícia em portal regional. Candidato sênior pesquisa antes de aceitar oferta. Custo de aquisição de talento sobe, qualidade dos candidatos cai.
Por que empresa madura ainda está exposta
A surpresa do primeiro semestre foi descobrir que empresa com SST estruturado também está sendo autuada. O motivo: a NR-1 psicossocial exige integração entre SST, RH e qualidade que organização tradicional não tem.
O SST faz o PGR, o RH faz a pesquisa de clima, e a qualidade controla os treinamentos. Cada um na sua planilha. O auditor chega e pede a evidência cruzada: "essa pessoa que está em afastamento psicossocial, fez o treinamento de NR-1 do gestor dela? Tem registro?". E ninguém sabe responder em menos de uma semana.
O risco psicossocial é o primeiro ponto da legislação trabalhista brasileira que exige amarração técnica entre 3 áreas. Quem operava em silos descobriu na fiscalização que silo não passa.
O que sua empresa precisa ter pronto até a próxima auditoria
Sem inventar, listando o que comprovadamente passa em fiscalização:
Do lado SST
- PGR atualizado com a seção psicossocial estruturada, atualizada nos últimos 12 meses
- Inventário de risco com origem rastreável (qual coleta, quando, com quantas pessoas)
- Plano de ação com responsável, prazo e indicador de eficácia para cada risco prioritário
Do lado RH
- Pulse survey segmentado com perguntas validadas, taxa de resposta documentada, comparação trimestre a trimestre
- Treinamento de liderança em NR-1 psicossocial com prova de conclusão e reciclagem anual
- Canal de denúncia ativo com fluxo documentado de tratamento
Do lado qualidade
- Audit log de cada treinamento concluído, vinculado ao colaborador certo
- Evidência cruzada: a pessoa em afastamento psicossocial, fez os treinamentos obrigatórios da função?
- Não conformidade aberta quando o ciclo trava (treinamento atrasado, plano de ação parado, indicador piorando)
Como o facilita.etc resolve isso de um lado só
O que motivou a gente a escrever esse texto é simples: a NR-1 psicossocial é exatamente o tipo de exigência que a estrutura clássica (SST + RH + qualidade em sistemas separados) não cobre. A solução nativa da facilita.etc pra NR-1 opera os 3 lados num único cérebro:
- facilita.rh roda o pulse segmentado com perguntas validadas, alimenta o PHI (People Health Index com 6 dimensões, incluindo carga e bem-estar), e dispara alerta quando uma área cai abaixo do threshold
- facilita.ia mantém o PGR vivo, com a seção psicossocial alimentada pelos dados do pulse, plano de ação em 5W2H com responsável e prazo, e indicador de eficácia rastreado
- Cross Intelligence amarra os 3 lados: treinamento de liderança concluído no .rh vira evidência automática da cláusula correspondente no PGR. Pessoa em afastamento psicossocial puxa o histórico de treinamento dela, o resultado do pulse da área dela, e a ação preventiva (ou ausência dela) registrada
Quando o auditor abre o sistema, vê os 3 blocos amarrados. Documento, coleta e ciclo, com data, responsável e evidência. Não precisa caçar PDF em pasta.
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