Texto da norma
Identificar todos os perigos biológicos, químicos, físicos e alergênicos razoavelmente esperados em cada etapa do processo. Avaliar severidade × probabilidade. Definir medidas de controle preventivas para cada perigo significativo. Documentar a justificativa técnica (literatura, histórico, dados regulatórios). HACCP, cláusula 2 · texto integral oficial em Codex Alimentarius (FAO/OMS).
O que isso quer dizer na prática?
Imagine que você está preparando um almoço para 100 pessoas. Antes de cozinhar, você pensa: "O que pode dar errado?" — a carne pode estar estragada (perigo biológico), um pedaço de vidro pode cair no arroz (físico), ou alguém pode esquecer de avisar que tem amendoim na sobremesa (alergênico). A norma pede que a gente faça exatamente isso, mas de forma organizada: listar todos os riscos possíveis em cada etapa (recebimento, armazenamento, produção), avaliar quais são graves o suficiente para exigir ação, e decidir como evitar que eles aconteçam. Não é só "tomar cuidado" — é ter um plano escrito, com base em dados (ex.: "a ANVISA diz que salmonela é comum em frango cru").
Como atender (passo a passo)
- Mapear o processo como um fluxograma simples Desenhe ou liste todas as etapas do seu produto/serviço, do início ao fim. Exemplo para uma fábrica de suco:
- Receber frutas → Lavar → Descascar → Prensar → Engarrafar → Armazenar → Entregar.
- Fazer um "brainstorm de perigos" por etapa Em cada etapa, pergunte: "O que pode contaminar ou estragar o produto aqui?"
- Biológico: Bactérias (ex.: E. coli em vegetais mal lavados), mofo.
- Químico: Resíduo de agrotóxico, produto de limpeza mal enxaguado.
- Físico: Pedra no grão, parafuso solto da máquina cair na linha.
- Alergênicos: Leite não declarado no rótulo, contaminação cruzada (ex.: usar a mesma faca para cortar castanha e pão).
- Classificar os perigos: "Isso é grave ou não?" Para cada perigo identificado, avalie:
- Severidade: Se acontecer, qual o estrago? (ex.: vidro no alimento = recall + processo judicial → severidade alta).
- Probabilidade: Quão provável é isso acontecer? (ex.: queda de energia na fábrica = depende da região).
- Definir como controlar os perigos significativos Para cada perigo que valer a pena prevenir, estabeleça uma ação concreta e verificável:
- Exemplo 1: Perigo = Salmonella em frango cru → Controle: Cozinhar a 75°C por 15 segundos (padrão ANVISA) + registrar temperatura.
- Exemplo 2: Perigo = Contaminação cruzada com amendoim → Controle: Área exclusiva para produtos com alergênicos + etiqueta de advertência.
- Documentar tudo com justificativa técnica Anote em um relatório:
- Quais perigos foram considerados e por quê (ex.: "Histórico de 3 casos de vidro em 2023").
- Fontes usadas (ex.: "Manual da ANVISA sobre temperatura de cozimento", "Laudo de análise de água").
- Quem participou da análise (nomes/cargos).
O que auditor procura como evidência
- Fluxograma do processo (mesmo que seja um rascunho no Excel).
- Tabela de análise de perigos (etapa × perigo × severidade × probabilidade × controle).
- Registros de monitoramento (ex.: planilha com temperaturas do freezer, checklists de limpeza).
- Justificativas técnicas (prints de normas, artigos científicos, relatórios de não-conformidades passadas).
- Ata de reunião onde a equipe discutiu os perigos (com data e assinaturas).
Erros comuns
- Pular etapas do processo: Esquecer de analisar o transporte ou a devolução de produtos. Auditor vai perguntar: "E se o caminhão quebrar com a carga?".
- Subestimar perigos "óbvios": "Aqui nunca deu problema" não é justificativa. Se a norma ou a ciência diz que é risco (ex.: Listeria em queijos), tem que estar na análise.
- Medidas de controle vagas: "Capacitar os funcionários" não basta. Precisa ser específico: "Treinar equipe de produção em alergênicos até dia X, com teste de compreensão".
Requisitos compostos desta cláusula
Análise de perigos com avaliação severidade × probabilidade
- Planilha de análise de perigos (mín. 1 evidência)
- Priorização de perigos significativos (mín. 1 evidência)
Artefatos sugeridos para evidência auditável
Tipos de documento, processo, registro ou indicador que tipicamente sustentam essa cláusula em auditoria. Cada um é gerado e rastreado dentro do facilita.ia.
| Tipo | Artefato | Por quê |
|---|---|---|
| Document | Planilha de Análise de Perigos (B/Q/F + Alérgenos + Fraude) | Princípio 1 do Codex — base de toda a análise. |
| Risk Register | Mapa de Riscos de Segurança dos Alimentos | Avalia probabilidade × severidade de cada perigo identificado. |
| Ishikawa Diagram | Ishikawa de Causas de Perigos Identificados | Análise estruturada das fontes potenciais (6M). |
| Evidence | Base Científica / Referências dos Limites de Severidade | Justifica decisões da análise com literatura/regulamentação. |
Como o facilita.ia aplica essa cláusula ao contexto da sua empresa
O Benjamin contextualiza esta orientação para a sua operação, cruza a evidência com outras normas via Cross Intelligence e mantém o rastreamento auditável.
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