A IA chegou onde o controller já vivia: dentro do Excel. A Microsoft adicionou agentes financeiros prontos ao Copilot do Microsoft 365 (análise de variação, conciliação, cobrança), e o discurso de venda promete que agora a IA "faz finanças" na ferramenta que você já usa. O detalhe incômodo é que, na média, isso não está virando resultado. A adoção de IA na área financeira parou de crescer, e a maioria das empresas que já usa ainda não relata ganho significativo. Vale entender por quê antes de comprar mais um plugin.

A adoção estagnou depois do salto

O Gartner ouviu 183 CFOs e líderes financeiros entre maio e junho de 2025 e encontrou um número que contraria a narrativa: a adoção de IA na área financeira foi 59% em 2025, contra 58% em 2024 e 37% em 2023. Ou seja, houve um salto grande de 2023 para 2024 e depois, na prática, estagnação. As barreiras que os líderes citam são as de sempre: complexidade, dados e talento. Os dados estão no CFO Dive e no CPA Practice Advisor.

Tem um detalhe de humor nesse cenário: o otimismo subiu mesmo com a adoção parada. Segundo o Gartner, 67% dos que já usam IA estão mais otimistas do que estavam no ano anterior. Quem entrou e ficou tende a gostar. O problema não é quem usa de verdade, é a barreira de entrada que não baixou. Comprar ferramenta ficou fácil. Tirar valor dela, não.

Usar mais não é o mesmo que ganhar mais

A pesquisa The state of AI da McKinsey, publicada em novembro de 2025, mostra um avanço real de uso. Entre os CFOs, 44% já usam IA generativa em cinco ou mais casos de uso, contra apenas 7% em 2024. A IA entrou no dia a dia financeiro de muita gente, isso é fato.

Só que uso e valor são coisas diferentes. A mesma McKinsey registra que cerca de 9 em cada 10 empresas já tinham IA em ao menos uma função, e ainda assim a maioria não relata valor significativo no resultado. O ganho não aparece quando a empresa coloca uma ferramenta nova em cima do processo antigo. Aparece quando redesenha o workflow em volta da IA. Os recortes estão em The state of AI 2025 e na análise de onde a IA cria (e não cria) valor em finanças corporativas.

E a tão falada IA agêntica em finanças, aquela que executa tarefas e não só responde, ainda é incipiente segundo a McKinsey: a maioria das iniciativas está em piloto, não em produção. Os agentes financeiros que a Microsoft acoplou ao Excel, como variação, conciliação e cobrança, ilustram bem essa tendência (a descrição está em House Blend), mas tendência de vendor não é o mesmo que valor capturado na média do mercado.

Por que a ferramenta solta não entrega

Junte os dois retratos e o diagnóstico fica claro. Mais um chatbot, mais um plugin no Excel, mais um agente que "analisa variação" não move o ponteiro porque cada um deles é uma ilha. Ele opera sobre a planilha que você colou ali, sem saber o que aconteceu mês passado, sem enxergar o caixa real, sem conversar com o resto da operação. O resultado é uma resposta bonita sobre um pedaço pequeno do problema.

O valor não vem da ferramenta de IA. Vem quando a IA opera dentro de um workflow já desenhado, sobre os dados reais da empresa, e o que ela produz vira ação em outro lugar.

É exatamente o que a McKinsey aponta: o ganho está no redesenho de workflow, não na ferramenta avulsa. Um agente que faz análise de variação dentro do Excel responde "a despesa X subiu Y%". Útil, mas isolado. O que muda o jogo é quando esse mesmo sinal já chega lido, comparado mês a mês, e dispara uma ação: revisar um contrato, ajustar uma meta, abrir um plano. Aí a IA deixou de ser um copiloto que comenta a planilha e virou parte de como a empresa decide.

Como tratamos isso no facilita.ia

O Módulo Financeiro do facilita.ia foi montado em cima dessa lógica de leitura pronta, não de chatbot solto. Você importa CSV, XLSX ou OFX e a categorização acontece em camadas: primeiro as regras do próprio cliente, depois heurísticas, e por fim a IA, nessa ordem. A IA entra onde agrega, não atropela o que você já sabe sobre o seu negócio.

Em cima disso, o módulo monta uma DRE gerencial de verdade: receita, custos, lucro, despesas e resultado, com comparação mês a mês e uma linha de "a categorizar" separada (o que ainda não foi classificado fica visível, não escondido dentro de um total), com export em PDF. É leitura pronta sobre os dados reais da empresa, não uma resposta avulsa sobre uma planilha colada.

E o ponto que fecha a tese: os sinais financeiros não morrem no relatório. Via Cross Intelligence, eles cruzam estratégia e qualidade. Um sinal de caixa pode virar uma ação no CAPA, entrar na pauta da Segunda do Consultor do SebastIAn, ou cruzar com a estratégia no confronto "meta de crescimento x capital de giro". É o sinal financeiro saindo da ilha e virando decisão em outro módulo, que é onde a McKinsey diz que o valor aparece.

Uma ressalva honesta, porque ela importa: isso é uma lente gerencial, não substitui o contador. A DRE gerencial serve pra decidir, não pra entregar imposto. O objetivo é dar ao gestor leitura rápida e acionável dos números, e deixar a contabilidade fiscal com quem é da contabilidade fiscal.

Se quiser ver o módulo por dentro, montamos um showcase do Módulo Financeiro e uma página sobre gestão financeira com IA. O ponto não é ter mais uma IA. É ter a IA dentro de um lugar que já entrega leitura e conversa com o resto da operação.

Fontes: CFO Dive (Gartner), CPA Practice Advisor (Gartner), McKinsey, The state of AI 2025, McKinsey, onde a IA cria valor, House Blend (agentes financeiros no M365).

Veja a IA financeira que vira decisão, não só resposta

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Klaus Fuchs
Klaus Fuchs · founder facilita.etc Bacharel em Administração (FAE) e Engenharia da Computação (PUC-PR). MBA em Controladoria e Finanças (UNINTER, 2018) e MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde (PUCRS, 2026). Pesquisa uso de IA aplicada à gestão estratégica desde 2015.