A Michael Page acabou de publicar a edição brasileira do Talent Trends 2026, a pesquisa de talentos deles com 60.000 profissionais em 36 mercados (2.834 no Brasil). E tem um par de números que, juntos, decretam a morte do currículo como sinal confiável de competência.

São estes: 73% dos candidatos já usam IA para revisar linguagem, adaptar o currículo e resumir competências durante a busca por emprego. E 36% dos gestores de contratação admitem que não conseguem dizer se um currículo ou carta foi criado ou editado com IA generativa.

Pare nesses dois dados por um segundo. Três em cada quatro candidatos otimizam o CV com IA. Dois em cada cinco recrutadores não sabem mais o que estão lendo. O documento que o RH usou por décadas como prova de capacidade virou um artefato que qualquer pessoa monta em 30 segundos para casar exatamente com o anúncio da vaga.

Quando todo currículo fica bom, nenhum currículo diz nada

O efeito é o que a Michael Page chama de homogeneização. Com IA do lado do candidato e IA do lado do recrutador (55% dos gestores também usam IA para escrever vagas, montar perguntas e cruzar perfis), os currículos passam a se parecer entre si. Todos batem nas palavras-chave. Todos soam competentes.

O problema é que o processo deixa de selecionar o candidato mais capaz e passa a selecionar o candidato cujo CV foi melhor otimizado para o algoritmo de correspondência. São coisas diferentes. E quando você não consegue mais distinguir perfis pela apresentação, o risco real é filtrar para fora gente com habilidade concreta só porque ela não jogou o jogo da otimização.

O sinal migra para o que a IA não reproduz

A saída que o estudo aponta não é nostálgica, ninguém vai pedir currículo manuscrito. O sinal de competência migra para aquilo que a IA ainda não consegue falsificar de forma convincente: capacidade de decisão, repertório, qualidade de raciocínio e como a pessoa se comporta numa interação real.

Na prática, isso quer dizer trocar "esse currículo parece bom?" por "as evidências se sustentam quando a pessoa precisa demonstrar?". O estudo é direto sobre os instrumentos:

  • Tarefas curtas com stakes baixas, ligadas ao trabalho de verdade
  • Exercícios de priorização, para ver como a pessoa decide sob restrição
  • Simulações de cenário, que revelam julgamento e olhar crítico

São formatos que medem habilidade aplicada, não capacidade de redação assistida. E criam uma base de comparação mais justa, porque todo mundo é avaliado pela mesma tarefa, não pelo CV que conseguiu polir.

O que muda na operação do recrutador

O incômodo aqui é que avaliar por evidência dá mais trabalho que ler currículo. Triagem por palavra-chave é rápida e preguiçosa. Tarefa estruturada exige desenhar o exercício, aplicar e analisar. Por isso a maioria não faz, e continua filtrando por um sinal que já sabe estar quebrado.

É exatamente nesse ponto que a tecnologia ajuda sem substituir o julgamento. No facilita.rh, a Belle faz a triagem como IA explicável: em vez de ranquear por keyword, ela avalia perfil, contexto e adequação à vaga e mostra o raciocínio por trás de cada decisão. O recrutador não recebe um número opaco, recebe o porquê, e decide. A Bateria de Soft Skills do facilita.carreira leva a mesma lógica para a avaliação de competências comportamentais, com jogos curtos de stakes baixas em vez de questionário autorreportado (que a IA também sabe responder bonito).

A questão não é se a IA entrou no recrutamento, ela entrou e os números do Talent Trends provam. A questão é se você vai continuar decidindo com base num sinal que a própria IA esvaziou, ou vai mover a avaliação para onde a capacidade ainda aparece de verdade.

Dados: Michael Page, Talent Trends 2026 (Brasil). O estudo completo está disponível aqui.

Triagem que avalia capacidade, não keyword

A Belle, IA de recrutamento do facilita.rh, lê perfil, contexto e adequação e justifica cada decisão. Você vê o porquê, não só o ranking.

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Klaus Fuchs
Klaus Fuchs · founder facilita.etc Bacharel em Administração (FAE) e Engenharia da Computação (PUC-PR). MBA em Controladoria e Finanças (UNINTER, 2018) e MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde (PUCRS, 2026). Pesquisa uso de IA aplicada à gestão estratégica desde 2015.